O volante Arthur quebrou o silêncio e detalhou, em entrevista recente, todos os bastidores da tentativa frustrada de permanecer no Grêmio. Sem acordo financeiro com o Tricolor, o jogador retornou à Juventus, rescindiu o contrato com o clube italiano e acertou com o Santos até o fim de 2026.
Contratado pelo Peixe até o final do ano, Arthur contou que ainda tinha vínculo com o Grêmio até junho e tentou, por conta própria, abrir caminho para ficar em Porto Alegre. Durante as férias de fim de ano, entre dezembro e janeiro, ele viajou até Turim para conversar pessoalmente com a diretoria da Juventus, dona dos seus direitos econômicos.
Segundo o próprio atleta, a resposta italiana foi clara naquele momento: não havia interesse em negociar. A Juventus avaliava o bom momento do volante no Brasileirão e esperava propostas mais altas no mercado.
— Se vocês (Grêmio) querem que eu fique, eu quero ficar também. Então, vamos tentar armar um plano para que isso aconteça. Eles não tentam contato com a Juventus, e a Juventus também nem queria. Eles viram que eu estava indo bem no Brasileirão. Falaram: “Vai vir uma proposta muito boa, a gente vende” — relatou Arthur.
O jogador afirmou ainda que insistiu para que a Juventus negociasse com o Grêmio, mesmo recebendo sondagens de outras equipes. Ao mesmo tempo, confessou não ter certeza se o clube gaúcho chegou a ligar para os italianos.
— Também não sei se o Grêmio chegou a ligar. Não vou colocar a mão no fogo… Eu simplesmente falava com eles que queria sair. E eles: “vamos esperar, vamos esperar”. Não sei qual foi a atitude do Grêmio… Não deixaram eu sair — detalhou.
Arthur explicou a dificuldade prática da situação: mesmo com interesse do Grêmio, a liberação dependia exclusivamente da Juventus. Ele voltou à Itália, o Tricolor buscou reforços no mercado e, meses depois, o volante conseguiu a rescisão.
Os números que separaram as partes
De acordo com informações da época, o Grêmio ofereceu cerca de R$ 1,5 milhão mensais com contrato até o fim de 2028. Arthur, disposto a abrir mão dos R$ 4 milhões por mês que receberia na Juventus até junho de 2027, buscava valorização na casa dos R$ 2,5 milhões e três anos de vínculo. A diferença salarial inviabilizou o acordo.
A direção do Grêmio argumentou que fez o máximo possível dentro da nova política de contenção de despesas adotada a partir da janela do meio do ano. Em nota e declarações públicas, o clube reconheceu a impossibilidade financeira de atender à pretensão do jogador.
O presidente Odorico Roman reforçou o ponto em junho:
— O Arthur fez história no Grêmio, não tivemos a condição financeira de mantê-lo, fizemos o esforço possível e não conseguimos chegar a uma possibilidade… Agradeço muito o Arthur… e digo que as portas estão abertas, o Grêmio é a casa do Arthur.
Sem acordo, o volante retornou à Juventus, onde não foi utilizado. Em agosto, as partes anunciaram a rescisão. Neymar sugeriu o nome de Arthur ao Santos, e a empresa da família do craque ajudou o clube a quitar o transfer ban que liberou a contratação.
Arthur ainda contou como pediu a liberação aos italianos:
— Eu falo assim: “Cara, eu não quero receber nada. Só deixa eu sair. Fiquem com o que vocês têm que me pagar… e a gente rompe esse contrato. Só deixa eu sair”. Porque eu já não estava feliz lá. Eles entenderam um pouco o meu lado.
Opinião Copera
A história de Arthur deixa um gosto amargo, mas também realista. O jogador deixou claro que queria ficar e até se mexeu para isso. Do lado do Grêmio, a contenção financeira é compreensível num momento de reorganização, mas a sensação de que “fez o possível” sempre gera debate na arquibancada. Quando um atleta com passagem marcada no clube volta a falar com carinho e deixa a porta aberta, a torcida naturalmente se pergunta: será que no futuro os números se encontram? Por enquanto, Arthur segue sua carreira no Santos e o Grêmio segue sua reconstrução. História que, como tantas outras no futebol, fica no “quase”.
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